Colégio Santa Clara

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Construindo imaginários

20 de julho de 2019

Cheios de aventuras para contar, amores de outras galáxias para se emocionar e ideias fervilhantes aguçando a imaginação…

O desafio era elaborar um conto de aventura através da imagem de um lugar que o aluno gostaria de conhecer. Precisavam descrever detalhadamente sobre os elementos que compunham tal lugar, o aspecto e hábitos das pessoas que habitavam e transitam neste.

A principal intenção da descrição era criar um cenário que possivelmente faria parte de um romance de aventura criado pelo próprio aluno.

Após a produção, a professora selecionou alguns textos e os mesmos foram lidos em sala de aula.  Aproveitou-se a oportunidade para dar ênfase a leitura, tão importante na vida de todas as pessoas. “Quando lemos, usamos nossa imaginação, viajamos e sentimos a emoção dos personagens”.

Esperamos que vocês embarquem nesta aventura e leiam um dos contos selecionados! Boa viagem imaginativa!

 

África Central, 1998, Savanas Africanas.

(Vinicius Munareto Kulkamp)

Era audível apenas o som dos pneus batendo em pedras e buracos, em coro com o ronronar do motor do velho troller, que rangia de tempo em tempo. Mantia a velocidade média de 60km/h, e os solavancos nos buracos eram brutos o suficiente. Estava apenas com uma mão no volante, enquanto com a outra, segurava uma latinha de cerveja. E de repente, sai da estrada alguns centímetros, e o carro deslizou. Tentei segurar o volante para não capotar o veículo, e o carro se chocou contra uma enorme rocha. Com o choque do crânio no volante do automóvel, apaguei e fiquei inconsciente por alguns segundos. Abri a porta do carro e sai dali, me sentando na areia e olhando em volta, em choque, com a sequência de acontecimentos. Minha testa sangrava, mas era apenas um arranhão. Resolvi dormir no carro e partir logo cedo.

Acordei com a porta do motorista caindo na terra e levantando uma onda de poeira. Com o susto, levantei em um salto e bati a cabeça no volante, exclamando: AH! – e pousando a mão sobre a testa. Após um tempo parado meditando, resolvi juntar alguns equipamentos para minha partida. Agarrei um cantil de água, três latas de cerveja, uma corda, um chapéu, um manto e um facão. Passei alguns minutos afiando o facão e resolvi partir, caminhando em passos largos. Como eu estava perdido, segui o sol para me orientar até a estrada da qual vinha seguindo, e assim poder seguir meu rumo, a pé, rezando para não ser atacado. O horizonte desértico era monstruoso, enorme, infinito. Tudo o que eu via ali era uma vegetação rasteira de pigmentação amarelada. Caminhei por três dias, racionando água. No cantil, apenas mais 20ml de água, esta mesmo que um pouco suja, e o resto dos suprimentos estocados haviam acabado. Vi uma pequena lagoa e fui até ela, para abastecer meu cantil, mas quando me abaixei para realizar tal ato, ouvi o som de gigantes andando e o chão tremendo. Olhei para o lado e vi uma manada de elefantes correndo em minha direção. Soltei o cantil, infelizmente, e saltei sobre um amontoado de arbustos, donde vi o cantil ser pisoteado e destruído. Por fim, peguei no sono ali mesmo.

Acordei pegando fogo, e me lancei sobre o solo seco, me debatendo e girando no chão na tentativa de apagar a lavareda. Mas logo percebi que isso era inútil, o fogo não me queimava, apenas ardia minha pele. Levantei, suportando a dor e olhei em volta. Tudo estava em eternas chamas, o céu era vermelho puro, assim como o solo, e havia um amontoado de crânios de elefante a redor de uma lagoa com água avermelhada como sangue, que tomei a decisão de não me aproximar. No meu bolso, caiam infinitas moedas de ouro e prata, assim como joias e coisas luxuosas. Mas, no meu estômago, o vazio era tão imenso quanto um vácuo espacial. Na minha mente, fiquei cem anos ali, parado, sofrendo em silêncio, até que acordei. Quando abri os olhos, me deparei com uma leoa acima de mim, faminta, magra. Instintivamente, a empurrei para longe e um tiro foi ouvido de um carro de expedição. Escapei do Inferno…

Mais tarde, meditando no conforto de minha casa, percebi que eu era a leoa.

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