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A origem e a eficiência da sala de aula invertida

10 de abril de 2018

A vida moderna e a chegada da tecnologia mudaram drasticamente o cenário mundial, e consequentemente, o cenário educacional. Forçadas a buscar uma ressignificação da prática do cotidiano escolar, as instituições educativas começam a buscar alternativas educacionais mais significativas. Neste contexto, surge a metodologia Flipped Classroom, traduzida no Brasil como Sala de Aula Invertida.

Tal tendência de ensino foi lançada em meados de 2007 pelos professores norte-americanos Jonathan Bergmann e Aarom Sams, que notando a dificuldade de seus alunos, começaram a criar vídeo aulas. Ao constatarem o acesso de outros alunos, perceberam um ótimo caminho para dar maior foco na aprendizagem destes. Na sala de aula invertida, o aluno, aprendendo de forma mais autônoma e com o apoio das tecnologias, passa a ser o protagonista do processo; a responsabilidade de aprendizagem é transferida do professor para o aluno.  O professor expõe os conteúdos e o aluno ouve e anota explicações. O aluno estuda os conteúdos básicos antes da aula, com vídeos, textos, arquivos de áudio, games e outros. Em sala, o professor aprofunda o aprendizado com exercícios, estudos de caso e conteúdos complementares; esclarece dúvidas e estimula o intercâmbio entre a turma.

Combinando educação e novas tecnologias e perseguindo a pró atividade, a colaboração e aprendizagem contínua, a metodologia da sala de aula invertida tem alcançado resultados positivos nas escolas da Finlândia, Singapura, Holanda, Canadá e Coréia do Sul. Em Harvard, nas classes de cálculo e álgebra, os alunos inscritos em aulas invertidas obtiveram ganhos de até 79% a mais na aprendizagem do que os que cursaram o ensino tradicional. Na Universidade de Michigan, um estudo mostrou que os alunos aprenderam em menos tempo. Nas pesquisas realizadas, 94% dos professores que adotaram o método dizem que não voltariam para o método tradicional e, 96% dos alunos aprovam o método Flipped Classroom. Como já dizia Paulo Freire em 1996, “Não temos que acabar com a escola, mas sim mudá-la completamente até que nasça dela um novo ser tão atual quanto a tecnologia”.

Poderíamos também discutir até que ponto a sala de aula invertida é mesmo uma inovação. Vygotsky (1896-1934), já destacava a importância do processo de interação social para o desenvolvimento da mente. Seymour Papert, na década de 60 já defendia uma didática em que o aluno usasse a tecnologia para construir o conhecimento e, Paulo Freire, já era adepto de que o professor transformasse a classe em um ambiente interativo, usando recursos como vídeos e televisão. Em todo caso, seja um método novo ou apenas um nome diferente para o que há muito se pensa para a educação do futuro, é fundamental que escolas brasileiras conheçam mais sobre essa metodologia, sobretudo porque esta apresenta importantes contribuições para algumas das dificuldades apresentadas por nossos alunos: motivação, hábito de leitura, qualidade da aprendizagem, capacidade de autogestão, responsabilidade, autonomia e disposição para trabalhar em equipe.

Apesar de estarmos vivendo um momento de grandes oportunidades do ponto de vista educacional, vale ressaltar que mudar o que vem sendo feito há décadas, exige uma significativa mudança de postura da gestão da escola, dos professores, dos alunos e de seus familiares, sendo imprescindível a flexibilização, a conscientização e o planejamento de todos. O desejo é que gradativamente o sistema educacional vigente se aproprie dos princípios da sala de aula invertida e os transforme em uma prática educacional e social mais compatível com a geração atual, desencadeando assim, uma aprendizagem mais significativa e contextualizada para os moldes da sociedade contemporânea.

 

 

Elenita Israel Ramos

Graduada em Pedagogia, Especialista em Educação Infantil e Séries Iniciais

e Especialista em Direito Educacional.

 

 

 

Referências bibliográficas consultadas:

FREIRE, Paulo; PAPERT, Seymour.  O futuro da escola. São Paulo: TV  PUC),1996. Disponível  em: http://www.paulofreire.ce.ufpb.br. Acesso em 30/08/2017 às 18:33 h.

 

JONHATAN Bergaman e Aaron Sams. Flip Your Classroom: Disponível em http://www.amazon.com/Flip-Your-Classroom-Reach Student/dp/1564843157. Acesso em 31/08/2016.

 

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

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