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Contos Psicológicos – 9º Ano E.F.

26 de março de 2015

Conto Psicológico – É uma narrativa cujo  fato principal sempre está relacionado às lembranças e sentimentos dos personagens, o que acarreta a predominância do tempo psicológico, que flui de acordo com as emoções. A apresentação do enredo pode não seguir a ordem natural dos acontecimentos, já que o tempo das emoções não é linear; o espaço físico também é marcado do ponto de vista de como  são sentidas as experiências.

      No Brasil a representante mais importante do conto psicológico é Clarice Lispector. Em seus textos, geralmente, um fato do cotidiano ou uma lembrança aparentemente banal desencadeia no personagem uma viagem ao próprio interior, para questionar a própria existência ou ressuscitar dramas existenciais.

      Selecionamos alguns contos dos alunos do 9ᵒ Ano EF II, e algumas imagens do trabalho feito com frases, da grande escritora Clarice Lispector. Colaboradora: Professora Neíze.

A Mudança de Vida da Mariana – Vanessa Lorenzetti – 9ᵒ Ano EF II


            Mariana era uma jovem de 15 anos de cabelos longos e lisos. Porém, com a mudança de emprego de seu pai, fez com que se mudassem da agitada cidade grande para o interior, mudando Mariana de escola.

            Na antiga escola Mariana era extremamente popular e pensava que na escola atual também seria o centro das atenções mas, para sua surpresa, nada aconteceu como esperado.

            Os colegas de classe pareciam nem notar sua presença, e no intervalo, permanecia sozinha durante todo o tempo. Essa situação se alastrou por duas semanas, e todos os dias, ao voltar a pé para casa, Mariana pensava em como mudaria aquela situação de “abandono”. Foi em uma dessas reflexões que Mariana olhou para si mesma e percebeu que suas roupas e comportamento não condiziam com sua nova vida e era por isso que seus colegas não sabiam como fazer amizade com ela, pois achavam que seriam rejeitados.

            “Poxa, é isso”! Irei com roupas mais simples e serei mais simpática! “Então, com a autoestima elevada, Mariana começou a conversar com as pessoas a sua volta e todos perceberam que apesar da condição social, todos eram iguais”.

                    O  carro de sorvete – Ana Carolina Scotti Rosar –  9º ano  EFII

     Era um dia nublado e Michele estava com seus amigos brincando no parque. Então, eles ouviram um barulho muito estranho e quando olharam para o lado tiveram uma surpresa, era uma coisa que eles nunca tinham visto antes e ficaram muito felizes por aquela coisa: era um carro de sorvete!

      Então todas as crianças foram comprar, exceto Michele, pois ela tinha ganhado de sua mãe dinheiro para comprar o que ela quisesse, mas ela já tinha planos para gastar aquele dinheiro em uma boneca e se gastasse comprando um sorvete não teria a quantia certa para a boneca.

         Até que uma amiga dela a viu sem sorvete e resolveu dar um para Michele, que ficou muito feliz, mas perguntou para a amiga se ela não sentiria falta daquele dinheiro que ela tinha gasto para dar o sorvete. Porém, sua amiga disse que não sentiria falta daquele dinheiro, pois tinha dado para ela de coração.

       Enfim todas as crianças ficaram com um sorvete, continuaram brincando no parque e todas ficaram muito felizes.

 

Lembranças- Rafaela Souza Rodrigues- 9° ano EFII

               Acordo, a luz do sol já bate em meu rosto, tive um ótimo sonho esta noite, mas preciso levantar logo, pois é apenas um vez que fazemos 15 anos. Troco de roupa e coloco meu calçado, preciso comer algo. Quando chego a cozinha me deparo com um belo café da manhã. Minha mãe deve ter ido trabalhar. Tomo café rápido, pois preciso muito encontrar meus amigos, estou ansiosa pra festa.

          Minha mãe tem uma condição de vida boa, portanto nunca me faltou nada, uns me chamam de mimada, outros de patricinha. Isso pode até ser verdade, mas para completar meu 15 anos tive que passar por muitas coisas.

          Caminho até a casa de minha amiga, não muito longe. Quando chego lá ela finge que não sabe sobre a data de hoje. Eu deixo passar, mas fico triste. Isso significa que não terei festa, pois achei que ela estava organizando isso para mim. Nós conversamos, e eu volto para casa em silêncio, minha alegria desapareceu. Horas depois minha mãe chega em casa, parabeniza-me, fala aquelas coisas fofas de aniversário e me convida pra ir ao Shopping.

          Depois de umas duas  horas voltamos para casa e me deparo com a festa surpresa, cheia de balões, doces, salgados, um bolo, meus amigos e familiares.

              Depois de festejarmos, cantarmos os parabéns e eu escutar todos os “Blá Blá Blá” de aniversários o pessoal começa a ir embora e eu agradeço a todos pela presença.

         Depois de tomar um belo banho coloco meu pijama e com a cabeça no travesseiro começo a pensar sobre minha felicidade de hoje. Pensar que cada ano eu fico mais perto do fim. Pensar que vou perder pessoas queridas. Sei que devemos viver cada dia como se fosse único, pois no final de nossa jornada nos tornaremos apenas lembranças. Sem perceber, uma lágrima escorre pelo meu rosto e eu adormeço.

 

O Grande Dia – Lucas Pitta 9 ° ano EFII

       Era o grande dia. A prova final do nono ano e eu estava nervoso, suava frio, estava preso ao meu eu interno pensando na hora da verdade. Eu havia estudado passado dias me preparando incansavelmente para aquele momento.

         Enfim chegara a hora. Sentei-me em uma cadeira entre várias outras enfileiradas perfeitamente e avaliei ao meu redor vários alunos nervosos.

      Enfim comecei a prova. Podia ouvir minha caneta correr pelo papel e minha respiração ofegante por causa do nervoso. Ouvia também o lápis que caía, rascunhos sendo amassados e gemidos de dúvida de meus companheiros momentâneos.

          Então cheguei na última questão, aquela que é sempre um desafio. Mas desta vez eu sabia responder, havia estudado e estava a par do assunto.

          Entreguei minha prova, parecia que estava entregando meu coração, mas este, no entanto, batia forte no meu peito pulsando a adrenalina no meu sangue pelo nervosismo.

          A orientadora disse-me para ir para a zona de espera e aguardar a lista de alunos aprovados chegar.

          Chegando ao lugar indicado percebi que havia demorado, havia muita gente ali já a espera. Percebi então que estava tão concentrado que o tempo voara.

          Neste momento refiz a prova mentalmente, eu fora bem, mas, não tão bem para afirmar que passara, já que minhas notas não eram tão boas.

          Houve então a inversão na percepção do tempo. Agora passava devagar, eu podia ouvir soluços, tosses, choros, pequenos gritos de desespero, pés batendo de nervoso, mas o que realmente reinava era o silencio.

          Ouvi então lá da frente alguém gritar. A lista chegara.

          Eu não era alto, então me estiquei para ver e, finalmente, vi meu nome na lista. Deixei minha felicidade extravasar, permiti-me um pequeno grito, mas só isso. Era meu dever e mérito.

          Fiquei ali estagnado, havia me libertado. Sentia-me livre, mas revi várias vezes meu nome ali por garantia.

          Quando fui embora já não havia ninguém apenas eu, o silencio e os grilos. E esse som seria por um breve período de tempo uma lembrança boa da minha vitória.

Consequências – Seydilla Fabiany Machado – 9 ° ano EFII

        João, aluno da sexta série era estranho, vivia com a camisa dentro da calça, lanchava sozinho, nunca se misturava, usava um aparelho diferente nos dentes e um óculos esquisito. Eu e meus amigos fazíamos questão de tirar sarro dele, ríamos, inventávamos apelidos, o imitávamos.

           Eu não concordava com os atos de meus amigos, mas mesmo assim ainda o provocava, pois tinha medo de ser excluída do grupo já que fazer parte dele era o que todos no colégio queriam.

           João sempre reagia chorando e se escondendo. Um dia, portanto, foi diferente e aquela cena eu não consigo esquecer. Estávamos reunidos no parque, quando Pedro, o líder do grupo e o que mais fazia João sofrer, resolveu ir provocá-lo como de costume: “baleia”, “quatro olhos”, “vai ir pro banheiro chorar neném mijão”. Nesta hora, acho que por esgotamento, João cansado de tudo aquilo reage e espanca Pedro.

        Após isso, nunca mais vimos João. Rola boatos que chegando em casa ele cometeu suicídio, vai saber. Mas acredito que se ele fez isso é porque  chegou a seu limite máximo e que a vida do outro lado do mundo lhe proporcionou a felicidade e que lá de cima ele olha e protege todas as pessoas que sofrem como ele um dia sofrera.

 

A bola – Daniel Keiser Strey – 9 ° ano EFII

           Eu e meus amigos estávamos jogando bola em uma gelada tarde, quando de repente Antônio chutou a bola com muita força e quebrou em muitos pedaços a janela de uma casa abandonada ao lado do campo. Toda escola parou para  olhar o acontecido, Antônio estava morrendo de vergonha.

          Ninguém poderia imaginar que aquilo seria o início de uma grande aventura. Todos estavam com medo de ir buscar a bola, Antônio foi obrigado a ir pega-la, mas estava com muito medo, por isso fui junto com ele.

         Ao chegarmos na casa abandonada vimos que ela estava aberta. Fomos entrando devagarzinho, a casa estava toda cheia de pó, com teias de aranha e um cheiro de mofo quase insuportável.

          Não demorou muito para encontrarmos as escadas, os degraus rangiam e em algumas partes nem tinha. Estávamos sendo muito cautelosos, pois não sabíamos se tinha alguém ou alguma coisa na casa.

            Chegando ao quarto logo vimos a bola e o chão repleto de cacos de vidro. Fiquei na porta esperando. Quando olhei para o corredor vi um grande cachorro com os dentes de fora e muito mal cuidado. Fechei a porta e a tranquei, Antônio quase teve uma parada cardíaca quando escutou a porta bater.

          E agora! O que vamos fazer? Estávamos presos, teríamos que achar um jeito de sair dali. Logo tivemos a ideia de fazer uma corda de pano, ainda bem que tinha grandes lençóis em cima dos móveis.

          Quando terminamos de sair da casa com a bola, ninguém tinha imaginado o que havia acontecido e por que demoramos tanto. Quando contamos aos outros o que havia ocorrido poucos acreditaram, mas eu e Antônio sabíamos o que tinha acontecido, isso era o mais importante.

 

 

 

 

 

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