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Aquelas histórias antigas de hoje em dia

25 de junho de 2018

Eles sempre estiveram comigo.

Logo que nasci, começaram a chegar e não pararam mais. Alguns eram sagrados, apenas para me proteger, outros eram engraçados e leves. E, claro, sempre havia aqueles que gostavam de ensinar uma lição de moral. Contavam histórias sobre animais falantes, fadas, duendes e dragões. Falavam sobre reinos e princesas. Ficavam comigo até eu pegar no sono. Ensinaram-me a não ter medo do escuro, medo de lobos ou medo de tempestades.

Ouvi, certa vez, sobre três porquinhos em apuros, mas só mais tarde descobri que o Sr. Lobo não era tão mau assim. Ele apenas havia sido mal interpretado pela mídia. True story. Caso você não acredite em mim, procure pela Verdadeira História dos Três Porquinhos. Meu amigo Jon Scieszka vai explicar melhor.

Conforme o tempo foi passando, eles cresceram comigo. Tiraram aquela roupagem colorida, que agrada muito uma criança, mas que pode ser aterradora para um adolescente, e vestiram-se de uma forma mais séria. Os assuntos mudaram também. Estávamos muito mais apaixonados. Não havia mais fadas, princesas e castelos, mas o sonho ainda era o príncipe encantado. Eles me contaram as mais diversas histórias de amor. E eu ficava atenta a cada palavra.

Quando cheguei ao Ensino Médio, no último ano, eu fui coagida a fazer novos amigos. No início eles contavam histórias que eu não queria ouvir, muito menos participar. Considerava meus novos amigos muito maçantes. Mas, em um dia inesperado, um deles, que aparentemente não prometia uma grande história, começou a contar-me sobre algumas Vidas Secas que ele havia conhecido. Era uma família fugindo da secura do seu cotidiano sem esperança, em busca de uma vida melhor. A narrativa dele era fabulosa. Mas o que jamais irei esquecer é a Baleia. Faz anos que esta história foi contada, mas ainda sinto uma pontada de tristeza quando penso a respeito dela.

As fantasias da infância passaram e as ilusões da adolescência também. E, antes que eu pudesse perceber, eles já estavam falando sobre política, religião, filosofia, psicologia, utopias e distopias. Eles eram dos mais diversos cantos do planeta, com os mais diversos assuntos.

Certo dia eu comecei a achá-los inúteis. Para que tantos?! Não havia necessidade daquilo. Foi nesse dia que eles me contaram a melhor história de todas.

Eles não estavam ali para ocupar espaço, atrapalhar ou somente contar uma história. Quem tivesse sensibilidade e um olhar mais cauteloso saberia que estavam ali para ensinar a vida. Para ensinar a passar pela vida, mesmo com todas as suas mazelas, e deixar uma marca positiva. Hoje, mais do que nunca, eles são extremamente importantes, pois nos ajudam a ver o mundo, com os mesmos olhos, mas sob uma perspectiva diferente. Acabei descobrindo, com a ajuda deles, que entre o certo e o errado existe uma imensidão de outras coisas.

A tecnologia nos possibilita ter acesso a uma infinidade de informações. O tempo todo. Sem a ajuda desses companheiros fica difícil para tomar uma decisão, avaliar todas as informações de forma cautelosa. Eles são os nossos guias em momentos de crise, são as memórias que tentamos esquecer e nossos mestres na construção de uma nova realidade. Livros. Começamos nossa leitura com eles, terminamos lendo o mundo. Somente com a leitura podemos resgatar a nossa geração.

E de tanto ler, hoje escrevo as minhas próprias histórias. E você? Está escrevendo a sua história de que forma? Pare para pensar. E, se for preciso, recomece. Caso falte inspiração, chame um livro para ser seu companheiro e, então, tente outra vez. Você tem infinitas possibilidades. Vamos ler (e escrever) muitas histórias juntos?!

 

Sheila da Cruz,

Graduanda em Letras – Português e Inglês.

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