Colégio Santa Clara

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O significado do Colégio Santa Clara em minha vida

Data: 19 de julho de 2018

Ao escrever sobre o Colégio Santa Clara, me bate uma certa saudade. Saudade de um tempo em que eu não me preocupava tanto com o amanhã; que eu saboreava cada segundo de uma brincadeira; que um cachorro-quente da “Tia Maria” custava oitenta centavos; que eu dormia nas aulas da “professora X” e ela, delicadamente, erguia uma carteira uns 15 centímetros do chão e a largava sobre o tablado de madeira de alguma sala gélida pela manhã.

Saudade do tempo em que a “tia Édna” interrompia as aulas de matemática do professor “Sérjão” e me levava para ensaiar alguma música para as missas e homenagens do colégio; saudade do gosto das mini pizzas de toda quinta-feira, saudade dos bombons que eu ganhava carinhosamente da Irmã Lúcia… Saudades.

Ao ir embora para Florianópolis para fazer o “terceirão” num colégio que tinha uma boa fama em relação à aprovações no vestibular, me deparei com outra realidade. Num colégio como aquele, onde existe um grande número de alunos desesperados para serem aprovados, percebi que, diferentemente do que estava acostumado em Urubici, eu era apenas mais um.

Ao longo deste período, percebi que muitos, assim como eu, não faziam ideia do que queriam cursar e, mesmo assim, estavam lá, vivendo aquela pressão em simbiose com o desespero pela aprovação no vestibular da UFSC/UDESC, sendo apenas mais um…

Percebi também que existiam muitos macetes, muitas fórmulas a serem decoradas, onde os professores ensinavam algumas canções para facilitar na “decoreba”, seguindo aquele padrão de um aluno enxergar a nuca do outro, uns dispersos em seus celulares e outros concentrados em decorar aquele conteúdo específico.

Confesso que achava tudo aquilo muito chato, estudava ou fingia que estudava por obrigação, talvez seja por isso que não fui aprovado no vestibular e agradeço, pois como diz o ditado: “há males que vem para o bem”, hoje tenho a certeza de que meu lugar nunca seria num escritório de contabilidade e de que existem outras formas muito mais prazerosas de estudar do que as que eu conhecia.

Admiro aqueles que desde cedo sabem o que querem, correm atrás de seus sonhos, são aprovados num vestibular da UFSC, tornam-se grandes médicos, advogados, psicólogos, jornalistas… Mas vejo que comigo foi diferente. Comecei a cursar direito, achei tudo muito bonito no início do curso, a teoria do direito é muito bonita, mas vi que na prática, após alguns anos de curso e estágios, nunca foi realmente o que almejei. Muitos dizem que profissão é igual casamento, eu nunca pensei dessa forma, pois hoje em dia as separações estão cada vez mais comuns, todos somos donos de nossas escolhas, porém é preciso arcar com as consequências delas. Eu arquei, contrariado de mim mesmo, segui cursando direito, mas trabalhando paralelamente com a música que é o que me faz feliz.

Hoje, após algumas vicissitudes, estou prestes a ingressar numa nova fase da vida, pois ingressarei na faculdade de música e viverei esse sonho que adiei por alguns anos, por uma certa insegurança e por não compreender alguns sinais que a vida me deu.

Mas voltando a falar sobre o Colégio Santa Clara, olho pra trás e agradeço por ter estudado do ensino fundamental ao ensino médio lá, onde aprendi alguns valores que sempre levarei comigo. Nunca fiquei para trás quando fui estudar num colégio maior, pois considero que tive uma boa base; nunca esqueci das aulas do professor “Sérjão” por exemplo, quando me deparei com matemática A, B, C e D.

Hoje eu compreendo o valor que existe em morar no interior, aprecio a qualidade de vida que se tem em Urubici, vejo que temos um ótimo Colégio particular e boas escolas estaduais e municipais ao comparar com outros estados brasileiros, vejo em casa meu irmão ansioso por sua liberdade, projetando seus sonhos, querendo voar, ir morar “fora” e penso, ele está certo, é preciso viver um pouco dessa selva que é o mundo, acredito que como eu, ele teve uma boa base no Colégio. Hoje sou eu que regresso, amanhã ele é quem parte.

Poderia aqui escrever mais umas duas páginas sobre o Colégio Santa Clara, sobre minhas experiências, mas em resumo, acredito que todos possuem seu entendimento interior, seu tempo, e é preciso respeitar o tempo do outro, assim como estimular para aumentar, como diria o professor Clóvis de Barros Filho, sua potência de viver.

Acredito que vivemos oscilando durante este curto espaço de tempo que é a vida e que esta oscilação é importante, nos reedita. Como disse Heráclito: “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou.”

Rafael Vieira Wollinger.

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